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São Gregório Magno

Nascido em 540, na família Anícia, de tradição na Corte romana, muito rica, influente e poderosa, Gregório registrou de maneira indelével sua passagem na história da Igreja, deixando importantíssimas realizações, como, por exemplo, a instituição da observância do celibato, a introdução do Pai-nosso na missa e o famoso “canto gregoriano”. Foi muito amado pelo povo simples, por causa de sua extrema humildade, caridade e piedade.

Vocação

Sua vocação surgiu na tenra infância, sendo educado num ambiente muito religioso – sua mãe, Sílvia, e duas de suas tias paternas, Tarsila e Emiliana, tornaram-se santas.

As três mulheres foram as responsáveis, também, por sua formação cultural. Quando seu pai, Jordão, morreu, Gregório era muito jovem, mas já havia ingressado na vida pública, sendo o prefeito de Roma.

Nessa época, buscava refúgio na capital um grupo de monges beneditinos, cujo convento, em Monte Cassino, fora atacado pelos invasores longobardos. Gregório, então, deu-lhes um palácio na colina do Célio, onde fundaram um convento dedicado a Santo André.

Esse contato constante com eles fez explodir de vez sua vocação monástica. Assim, renunciou a tudo e foi para o convento onde vestiu o hábito beneditino. Mais tarde, declararia que seu tempo de monge foram os melhores anos de sua vida.

Como sua sabedoria não poderia ficar restrita apenas a um convento, o Papa Pelágio nomeou-o para uma importante missão em Constantinopla. Nesse período, Gregório escreveu grande parte de sua obra literária. Chamado de volta a Roma, foi eleito abade do Convento de Santo André e, nessa função, ganhou fama por sua caridade e dedicação ao próximo.

A Peste de 589

No outono de 589 chuvas torrenciais abateram-se sobre a Itália. Os campos ficaram alagados, perderam-se as colheitas e quase todos os rios transbordaram, destruindo pontes e inundando muitas vilas e cidades.

Em Roma, o rio Tibre tornou-se uma torrente impetuosa. Saindo de seu leito e atingindo um nível jamais visto, as águas devastaram a cidade e submergiram no lodo seus bairros menos elevados.

O inverno e o novo ano chegaram, e a chuva não cessava de cair. A catástrofe atingiu então proporções apocalípticas: à destruição e à fome acrescentou-se uma epidemia de peste bubônica que se alastrou rapidamente, dizimando a população.

Roma agonizava, e muitos se perguntavam se não haveria chegado já o fim do mundo. No auge do drama, atingido pela peste em seu palácio de Latrão, faleceu o Papa Pelágio II.

O Papa monge

Assim, após a morte do Papa Pelágio, Gregório foi eleito seu sucessor. Porém, de constituição física pequena e já que desde o nascimento nunca teve boa saúde, relutou em aceitar o cargo. Chegou a escrever uma carta ao imperador, pedindo que o liberasse da função. Só que a carta nunca foi remetida pelos seus confrades e ele acabou tendo de assumir, um ano depois, sendo consagrado em 3 de setembro de 590.

O fim da peste

São Gregório organizou uma enorme procissão ao redor da cidade, convidando toda população e todo o clero a rezar a Deus pelo fim da peste. Levavam o belo quadro de Nossa Senhora Salus Populi Romani (Nossa Senhora Salvação do Povo Romano), padroeira de Roma, atualmente venerada na Basílica de Santa Maria a Maior e pintada pelo evangelista São Lucas.

A Legenda Áurea narra que, por onde a imagem da Virgem Maria, passava, o ar tornava-se limpo e livre da doença.

“A peste ainda assolava Roma e Gregório ordenou que a procissão continuasse realizando o percurso pela cidade, como todos os participantes cantando ladainhas. A procissão levava uma imagem da Virgem Maria. E foi aí que a sujeira do ar sucumbiu à imagem, como se dela fugisse, incapaz de suportar sua presença, ao passo que a imagem proporcionava uma maravilhosa serenidade e pureza do ar. Também se diz, ao redor da imagem, ouviam-se vozes dos anjos cantando: Regina coeli laetare, alleluia,Quia quem meruisti portare, alleluia,Resurrexit sicut dixit, alleluia! (Rainha dos céus, alegrai-vos. Aleluia! Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio. Aleluia! Ressuscitou como disse. Aleluia!) Ao qual Gregório adicionava com prontidão: Ora pro nobis, Deum rogamus, alleluia! (Rogai por nós a Deus. Aleluia!)

A procissão seguiu seu trajeto até parar diante do mausoléu do imperador Adriano, onde São Gregório Magno presenciou uma visão: Então o Papa viu um anjo do Senhor no alto de um castelo de Crescêncio, limpando uma espada ensanguentada e embainhando-a. Gregório entendeu que aquilo colocaria fim à peste, como, de fato, aconteceu. Desde então, o castelo passou a se chamar Castelo de Sant’Ângelo 

Com o tempo, uma imagem de São Miguel Arcanjo limpando sua espada foi colocada no alto do Castelo de Sant’Ângelo, que continua sendo uma recordatório constante da misericórdia de Deus e de como Ele respondeu às súplicas do povo.

Pontificado

Os quatorze anos de seu pontificado passaram para a história da Igreja como um período singular. Papa Gregório levou uma vida de monge, dispensou todos os leigos que serviam no palácio, exercendo um apostolado de muito trabalho, disciplina, moralidade e respeito às tradições da doutrina cristã.

No comando da Igreja, orientou a conversão dos ingleses, protegeu os judeus da Itália contra a perseguição dos hereges e tomou todas as atitudes necessárias para que o cristianismo fosse respeitado por sua piedade, prudência e magnanimidade.

Morreu em 604, sendo sepultado na basílica de São Pedro. Os registros mostram que, durante o seu funeral, o povo já aclamava santo, honrado com o título de doutor da Igreja. Sua festa ocorre no dia em que foi consagrado Papa. 

São Gregório durante sua vida teve um único e ardente desejo, servir incondicionalmente, como simples escravo, a Jesus Cristo, o Rei Eterno. Por isso, enquanto do alto da Cátedra de Pedro regia os destinos do mundo, não quis receber outro título senão o de servus servorum Dei – servo dos servos de Deus.

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