Porque Medalha Milagrosa

Porque Medalha Milagrosa

Ao ser difundida a medalha que Nossa Senhora pediu a Catarina Labouré, iniciaram-se inúmeras graças aos que a portavam, por isso ela recebeu este nome: Medalha Milagrosa.

“Fazei cunhar uma medalha com este modelo. Todas as pessoas que a usarem receberão grandes graças, trazendo-a ao pescoço. As graças serão abundantes para as pessoas que a usarem com confiança”

— prometeu a Santíssima Virgem.

Mal a Medalha Milagrosa estava começando a ser cunhada, a França foi tomada por uma epidemia terrível de cólera, proveniente da Europa oriental. A doença se manifestou em Março de 1832 e se estendeu até o meio do ano, dia a dia o número de pessoas que estavam indo a óbito aumentava cada vez mais. A 1º de abril, faleceram 79 pessoas; no dia 2, 168; no dia seguinte, 216, e assim foram aumentando os óbitos, até atingirem 861 no dia 9. No total, faleceram 18.400 pessoas, oficialmente; na realidade, esse número foi maior, dado que as estatísticas oficiais e a imprensa diminuíra os números para evitar o pânico popular.

No dia 30 de junho, foram entregues as primeiras 1500 medalhas que haviam sido encomendadas à Casa Vachette, e as religiosas Filhas da Caridade começaram a distribuí-las entre os flagelados. Na mesma hora refluiu a peste e começaram, em série, os prodígios que em poucos anos tornariam a Medalha Milagrosa mundialmente célebre.

O Arcebispo de Paris, que autorizara a cunhagem da Medalha e recebera logo algumas das primeiras, alcançou imediatamente uma graça extraordinária por meio delas, e passou a ser propagandista entusiasta e protetor da nova devoção. Também o Papa Gregório XVI recebeu um lote de medalhas, e passou a distribuí-las a pessoas que o visitavam.

Até 1836, mais de 15 milhões de medalhas tinham sido cunhadas e distribuídas, no mundo inteiro. Em 1842, essa cifra atingia a casa dos 100 milhões. Dos mais remotos países chegavam relatos de graças extraordinárias alcançadas por meio da medalha: curas, conversões, proteção contra perigos iminentes etc.

A Medalha Milagrosa e a conversão de Afonso Ratisbonne

Afonso Ratisbonne, aparentado à celebre família Rothschild, tinha 27 anos quando a Santíssima Virgem lhe apareceu e o converteu instantaneamente, em 20 de janeiro de 1842. Homem culto, rico e de fino trato, bem-relacionado nas altas rodas sociais, estava noivo de uma jovem de sua família. Tinha pela frente um futuro muito promissor. Por ocasião de uma visita a Roma recebeu de um amigo, Barão Teodoro de Bussières, o presente de uma Medalha Milagrosa. A contra gosto prometeu usar a medalha ao pescoço. Durante uma visita turística à Igreja de Santo André delle Fratte, a Virgem Maria lhe apareceu. Ele mesmo descreveu como foi a aparição: “Eu a vi! Eu a vi! Eu estava havia pouco tempo na igreja quando, de repente, senti-me dominado por uma emoção inexplicável.

Levantei os olhos. Todo o edifício desaparecera de minha vista. Apenas uma capela lateral tinha, por assim dizer, concentrado toda a luz. E no meio desse esplendor apareceu de pé sobre o altar, grandiosa, brilhante, cheia de majestade e doçura, a Virgem Maria, tal como está nesta Medalha (Milagrosa). Uma força irresistível empurrou-me para Ela. A Virgem fez-me sinal com a mão para que me ajoelhasse, e pareceu dizer- me: ‘Está bem!’ Ela não me falou, mas compreendi tudo.”

Batizado com o nome de Afonso Maria, o jovem Afonso renunciou à família, à fortuna, à situação brilhante na sociedade, e ordenou-se sacerdote.

Seu irmão mais velho, Teodoro Ratisbonne, inspirou-se nessa aparição de Maria para fundar a Congregação de Nossa Senhora de Sion. Afonso faleceu em odor de santidade, após uma vida de intenso apostolado em Jerusalém. Quem hoje visita a Igreja de Santo André delle Fratte em Roma, pode observar um grande e belo quadro de Nossa Senhora no local exato onde Ela apareceu e operou a conversão do jovem Afonso. Por essa razão os italianos a chamam de Madonna Del Miracolo.