Medalha Milagrosa

Francisco aos novos bispos: amem o povo que Deus lhe confiou

Cidade do Vaticano, 19 set 2014 (RV) – O Papa Francisco recebeu no final da manhã desta quinta-feira os bispos que foram nomeados durante o último ano e que participam de um encontro promovido pela Congregação do Bispos.

No discurso que fez aos presentes o Santo Padre disse que já os conhecia através dos seus currículos, mas agora finalmente podia associar o conhecimento do papel com os rostos. “É belo poder ver refletido no rosto o mistério de cada um e o poder ler o que escreveu Cristo. É consoldador ver que Deus não deixa faltar à Sua Esposa os Pastores segundo o seu coração”.

Depois de recordar as emoções vividas pelos novos bispos na sua consagração, o Santo Padre disse que aos encontrá-los pela primeira vez pede para que eles jamais dêem por algo evidente o mistério que os investiu, de não perder o estupor diante do desígnio de Deus, nem o temor de caminhar conscientemente na Sua presença e na presença da Igreja.

O Papa Francisco destacou em seguida algumas questões que são importantes para ele. Sinto-me na obrigação -disse - de recordar aos Pastores da Igreja o vínculo inseparável entre a presença estável do Bispo e o crescimento do rebanho.

Toda autêntica reforma da Igreja de Cristo começa com a presença, a de Cristo que nunca falta, mas também a presença do Pastor que guia em nome de Cristo. Esta não é uma recomendação piedosa. Quando o Pastor é ausente ou não pode ser encontrado, estão em jogo o cuidado pastoral e a salvação das almas.

De fato, continuou o Papa, nos Pastores que Cristo doa à Igreja, Ele mesmo ama a sua Esposa e doa a sua vida por ela. Vocês estão ligados por um anel – disse – de fidelidade à Igreja que lhes foi confiada ou que foram chamados a servir, por isso serve intimidade, a assiduidade, a constância, a paciência.

“Não servem Bispos felizes na superfície; se deve cavar fundo para rastrear o que o Espírito continua a inspirar à sua Esposa. Não sejam Bispos, com data de vencimento, que tem necessidade de mudar sempre de endereço, como medicamentos que perdem a capacidade de curar, ou como aqueles alimentos que são jogados fora porque se tornaram inúteis”.

Para habitar plenamente nas suas igreja é necessário – continuou o Papa -, habitar sempre n’Ele e d’Ele não escapar: permanecer na sua Palavra, na sua Eucaristia, nas “coisas do seu Pai ”, e sobretudo na sua cruz. Peço a vocês – disse Franciso – que também não se deixem iludir pela tentação de mudar de povo. Amem o povo que Deus lhe deu, também quanto eles “tiverem cometido grandes pecados”, sem jamais se cansar de “subir até o Senhor” para obter o perdão e um novo início.

O Papa dedicou ainda um pensamento ao relacionamento com os sacerdotes: exorto-os – afirmou – a cultivar em vocês, Pais e Pastores, um tempo interior no qual se possa encontrar espaço para os seus sacerdotes: recebam-nos, acolham-nos, escutem-nos, guiem-nos.

Gostaria que vocês fossem Bispos acessíveis não pela quantidade de meios de comunicação dos quais dispõem, mas pelo espaço interior que oferecem para acolher as pessoas e suas concretas necessidades, dando a elas a totalidade do ensinamento da Igreja, e não um catálogo de arrependimentos. E a acolhida seja para todos, sem discriminação, oferecendo a firmeza da autoridade que faz crescer e a dociliade da paternidade que gera.

E por favor – disse ainda Francisco – não caiam na tentação de sacrificar sua liberdade circundando-se de cortes ou coros de consenso, pois nos lábios do Bispo a Igreja e o mundo têm o direito de encontrar sempre o Evangelho que nos liberta.

Vejo em vocês, finalizou o Papa – sentinelas capazes de despertar as suas Igrejas, homens capazes de cultivar e de fazer amadurecer os campos de Deus, Pastores capazes de recompor a unidade e tecer redes e vencer a fragmentação. (SP)

Rádio Vaticano

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