Medalha Milagrosa

Papa Francisco: o Senhor é fiel, suporta nossas infidelidades, lentidões e recaídas

Cidade do Vaticano, 27 jun 2014 (RV) - O Papa Francisco faria na tarde desta sexta-feira, dia 27, uma visita à Policlínica romana Agostino Gemelli, por ocasião dos 50 anos de fundação da Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade Católica. Com a repentina indisposição que o impediu de realizar a visita, a missa que seria por ele presidida foi celebrada pelo Arcebispo de Milão, Cardeal Angelo Scola, que é também presidente do Instituto Toniolo – entidade fundadora da Policlínica Gemelli.

Os diretores, funcionários da instituição hospitalar e enfermos, bem como professores e estudantes da Universidade Católica do Sagrado Coração, ficaram sentidos com a ausência do ilustre visitante. Durante a missa, celebrada na Praça dos Institutos Biológicos, o Cardeal Scola pronunciou a homilia preparada pelo Santo Padre.

"O Senhor se afeiçoou a vós e vos escolheu": com essa passagem do Deuteronômio (7,7), o Papa inicia sua reflexão, acrescentando que "Deus afeiçoou-se a nós, escolheu-nos", e que este laço é para sempre, "não tanto porque somos fiéis, mas porque o Senhor é fiel" e suporta nossas infidelidades, lentidões e recaídas.

Francisco afirma que Deus ama estabelecer ligações: por amor estabelece aliança com Abraão, Isaac, Jacó e assim por diante. "Cria ligações; ligações que libertam, não que obrigam".

Referindo-se ao Salmo da celebração, repete: "O amor do Senhor é para sempre" (Sl 103). Ao invés, observa, outro Salmo afirma sobre nós homens e mulheres: "A fidelidade desapareceu dentre os filhos de Adão" (Sl 12,2).

Em seguida, o Pontífice enfatiza que hoje, em particular, "a fidelidade é um valor em crise, porque somos induzidos a buscar sempre a mudança, uma presumível novidade, negociando as raízes da nossa existência, da nossa fé".

"Sem fidelidade às suas raízes, porém, uma sociedade não vai para frente", observa: "pode fazer grandes progressos técnicos, mas não um progresso integral, de todo o homem e de todos os homens."

Francisco enfatiza que Jesus permanece fiel, jamais trai, "mesmo quando erramos, Ele nos espera sempre para perdoar-nos: é o rosto do Pai misericordioso".

Este amor, esta fidelidade do Senhor manifesta a humildade de seu coração. Assim definiu-se Ele mesmo: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" (Mt 11,29).

O Papa acrescenta que o sentido da festa do Sagrado Coração de Jesus, que celebramos nesta sexta-feira, "é o de descobrir sempre mais e de cobrir-nos com a fidelidade humilde e a mansidão do amor de Cristo, revelação da misericórdia do Pai".

"Podemos experimentar e saborear a ternura deste amor em todas as estações da vida: no tempo da alegria e no da tristeza, no tempo da saúde e no da enfermidade e da doença", recorda o Bispo de Roma.

A fidelidade de Deus nos ensina a acolher a vida como evento de seu amor e nos permite testemunhar este amor aos irmãos num serviço humilde e manso. "É o que são chamados a fazer especialmente os médicos e os paramédicos nesta Policlínica, que pertence à Universidade Católica do Sagrado Coração."

"Aqui – continua Francisco –, cada um de vocês leva aos doentes um pouco do amor do Coração de Cristo, e o faz com competência e profissionalismo." Isso significa permanecer fiéis aos valores propostos pelo Padre Gemelli, "para conjugar a pesquisa científica iluminada pela fé e a preparação de qualificados profissionais cristãos".

O Pontífice conclui sua homilia deixando algumas interpelações aos presentes. "Como é meu amor pelo próximo? Sei ser fiel? Ou sou volúvel, sigo meus humores e minhas simpatias?"

Por fim, acrescenta: cada um de nós pode responder em sua própria consciência. "Mas, sobretudo, podemos dizer ao Senhor: Senhor Jesus, fazei o meu coração semelhante ao Vosso, repleto de amor e de fidelidade." (RL)

Rádio Vaticano

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