Medalha Milagrosa

Conclave: Recolher e queimar os votos

Lisboa, 05 mar (Ecclesia) – As urnas que vão recolher os votos no próximo Conclave são as mesmas que foram utilizadas pela primeira vez em 2005 para eleger o agora Papa emérito Bento XVI.

Durante séculos os boletins de voto usados no Conclave, assembleia que elege o Papa, eram recolhidos num cálice e numa píxide, e após a contagem eram depositados numa urna e queimados.

A Constituição Apostólica “Universi Dominici Gregis” (“Todo o Rebanho do Senhor”), com que em 1996 o beato Papa João Paulo II renovou as normas para a eleição do seu sucessor, prevê o voto para os cardeais presentes no Vaticano mas que, por motivo de doença ou outros, não podem sair da Casa de Santa Marta, onde ficam hospedados.

O transporte dos votos entre o alojamento e a Capela Sistina, onde se realizam os escrutínios, impôs a necessidade de criar uma nova urna, ocasião aproveitada pelo Vaticano para conceber um conjunto novo, acompanhado do prato onde os cardeais depositam o seu voto.

A tarefa foi confiada ao escultor italiano Cecco Bonanotte (n. 1942), que também forjou as portas de entrada dos Museus do Vaticano, inauguradas no Jubileu de 2000.

As três novas urnas, concebidas em prata e bronze dourado no ano de 2005, são ovais e têm 67, 50 e 40 cm de diâmetro.

Uma das urnas, a que serve para transportar os boletins para a salamandra onde vão ser queimados, tem cinco anéis sobrepostos na base e é encimada por uma pequena escultura de Cristo na figura de Bom Pastor.

Pássaros, chaves, emblema da Santa Sé, ovelhas, associadas à imagem do rebanho, símbolo dos fiéis conduzidos por Jesus, bem como uvas e trigo, ligados ao vinho e o pão, essenciais para o sacramento da Eucaristia, são motivos igualmente presentes nas urnas.

Cada peça tem uma finalidade: recolha dos votos dos cardeais presentes na Capela Sistina, guarda dos boletins dos prelados doentes e depósito dos sufrágios após a recontagem, antes de serem queimados.

Cada eleitor, pela ordem de precedência, depois de ter escrito e dobrado o boletim de voto, mantém-no levantado de modo que seja visível, leva-o ao altar, junto do qual estão três cardeais escrutinadores.

Depois do juramento, que só pronuncia uma vez, depõe o boletim de voto no prato e, com este, introdu-lo na urna; depois faz uma inclinação ao altar e regressa ao seu lugar.

Se houver eleitores doentes na Casa de Santa Marta, três cardeais, antecipadamente escolhidos por sorteio, dirigem-se a esses aposentos com uma urna pequena, que na parte superior tem um orifício para a colocação do boletim de voto.

Antes de os cardeais saírem da Capela Sistina a urna para os doentes é aberta à vista de todos para que se verifique está vazia; depois é fechada e a chave fica sobre o altar.

Depois de todos os boletins dos cardeais presentes na Capela Sistina e na Casa de Santa Marta terem sido depositados na urna, o primeiro escrutinador agita-a diversas vezes.

Os escrutinadores procedem à contagem, tirando da urna, de forma visível, um boletim de cada vez.

O último dos escrutinadores, à medida que vai lendo com voz alta as fichas de voto, fura-as com uma agulha e insere-as num fio, a fim de que possam ser seguramente conservadas.

No fim da leitura dos nomes as pontas do fio são atadas com um nó, e os boletins assim unidos são colocadas numa urna, antes de serem levados para a salamandra onde são queimados, explica a “Universi Dominici Gregis”.

RJM/OC - Agência Ecclesia

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