Medalha Milagrosa

Cuba: Viagem com apelos à reconciliação nacional

Lisboa, 26 mar (Ecclesia) – Bento XVI inicia hoje a sua primeira visita a Cuba, durante a qual se vai rezar para que todos os habitantes da ilha se “reconheçam como irmãos”, para lá de “qualquer diferença”.

A oração vai ser feita na missa inaugural da viagem, em Santiago de Cuba, região oriental do país, poucas horas depois da chegada do Papa, vindo do México.

A cerimónia de boas-vindas no aeroporto local, onde Bento XVI vai discursar perante o presidente Raul Castro e a Conferência Episcopal Cubana, está programada para as 14h00 (hora local, mais seis em Lisboa).

A missa, com início marcado para as 17h30, na Praça Antonio Maceo [general cubano e líder independentista (1845-1896)], decorre por ocasião dos 400 anos da descoberta da imagem da Virgem da Caridade, padroeira de Cuba.

Além da celebração religiosa, a segunda visita papal na história do país, 14 anos depois da passagem de João Paulo II, vai ter em atenção a nova realidade sociopolítica, como demonstrou o próprio Bento XVI no avião que o levou desde Roma ao México, ao afirmar que a ideologia marxista, como foi concebida, já não responde à realidade”, pelo que é necessário “encontrar novos modelos”.

O Papa advertiu, no entanto, que “a Igreja não é um poder político, não é um partido, mas uma realidade moral, uma autoridade moral”.

Já o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, disse ao jornal italiano ‘La Stampa’ que a visita papal vai ajudar no processo “rumo à democracia” e abrir novos espaços à Igreja Católica em Cuba.

O presidente da Conferência Episcopal Cubana, D. Dionisio Garcia, disse aos jornalistas que as declarações de Bento XVI sobre o marxismo “não terão qualquer repercussão negativa” no decorrer da visita, que vai ser acompanhada por cerca de 800 jornalistas de 295 órgãos de comunicação de 33 países.

Segundo números do Vaticano, existem em Cuba 6,7 milhões de católicos, o que corresponde a 60,19 por cento da população da ilha, que em 2012 celebra um ano jubilar.

“Milhares de fiéis de todo o país e muitos dos que vivem longe da pátria peregrinação até à pequena aldeia do Cobre, na província de Santiago de Cuba, para saudar a mãe e padroeira, a Virgem da Caridade”, assinala o missal publicado pelo Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, organismo da Santa Sé.

“Bento XVI vem como peregrino do amor, da caridade”, acrescenta o documento.

O Papa  vai entregar à Virgem da Caridade a Rosa de Ouro, sinal de devoção especial a este local de culto católico e passará a noite numa residência, junto ao santuário, que vai visitar em privado, como peregrinos, pelas 09h30 de terça-feira, antes de saudar a população da localidade do Cobre; às 10h30, o Papa parte rumo a Havana, num voo de 750 km.

A aterragem na capital está prevista para as 12h00 e quando forem 17h30 o Papa visita Raul Castro no Palácio da Revolução - admitindo-se a presença do antigo líder Cubano, Fidel Castro -, antes de jantar com os bispos de Cuba na Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé), pelas 19h15, edifício que será a sua residência em Havana.

A Praça da Revolução recebe às 09h00 de quarta-feira a última missa e homilia do Papa, que às 16h30 se despede de Cuba com um discurso no aeroporto de Havana, meia hora antes de partir para Roma, onde deve chegar às 10h15 de quinta-feira, 22 mil km após o início da viagem.

OC - Agência Ecclesia

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