Medalha Milagrosa

O Rei Davi

1) Origem e unção real

O menino Davi faz pensar na parábola do grão de mostarda, não tanto pelo tamanho da sua fé, mas porque ele próprio – na aparência um jovem sem maior expressão – carregava consigo a semente de um grande guerreiro e do maior dos reis de Israel. “As aparências enganam” diz o ditado, o pai de Davi e certamente seus irmãos não imaginavam que aquele simples pastorzinho seria o escolhido por Deus para ser ungido rei.  Jamais acreditariam que ele pudesse derrubar e vencer o temível Golias. Com esta passagem bíblica, o Senhor nos deixa dois belos ensinamentos: 1º) não julgar ninguém pelas aparências; 2º) quando é da vontade d’Ele, o fraco se faz forte e poderoso. Faz pensar no refrão de um antigo hino mariano: “De mil soldados não teme a espada, quem pugna à sombra da Imaculada!”.


2) Desgraça do rei Saul

“Aquele que se exaltar será humilhado; e quem se humilhar será exaltado” (Mt. 23,12). Se por um lado Davi é exemplo de simplicidade e humildade que encontrou morada especial no coração de Deus, Saul é o modelo de infiel repudiado por Deus. Desobediência, orgulho, ódio ao próximo e inveja, os pecados deste antigo rei de Israel faz pensar em Lúcifer, o maior dos anjos que foi expulso do Céu por causa de sua soberba. Saul teve inúmeras chances de reconhecer seus pecados e aceitar que a predileção de Deus estava com Davi, porém nunca  se arrependeu  e terminou sua vida precipitando-se sobre sua própria espada (1Sm. 31,1-4).

É bastante recomendável que a (o) catequista aproveite esta passagem para aprofundar a questão do orgulho, que torna o homem cego e odiento, afastando-o de Deus. E pelo contrário, quando reconhecemos nossos erros, Deus se compadece de nós, não só nos perdoa, como vem em nosso auxílio pela graça. E muito mais, como os meninos ou jovens estão sendo preparados para a Comunhão, aproveitar para mostrar o quanto Deus é bom, pois quando confessamos nossos pecados com verdadeiro arrependimento e propósito de não voltar a ofendê-Lo, Ele não só nos absolve, pelas mãos de um sacerdote, como se dá a nós em forma de hóstia. Uma boa ocasião para se falar de passagem da graça que é receber o Santíssimo Sacramento. Dizer que ser ungido por Deus rei de qualquer reino é incomparavelmente menos que receber o Rei dos reis na Sagrada Comunhão.


3) Grandes feitos de Davi, queda e reabilitação

Vitórias sobre todos os inimigos, conquista de povos e reinos; esplendor e glória abrilhantaram o reinado de Davi. Ele parecia invencível, amado por todos os seus súditos e inabalável em sua fé. “Vigiai e orai para que não entreis em tentação! O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt. 26,41). Porém Davi perdeu a vigilância, esqueceu-se de Deus e cometeu um grave pecado para ficar com a mulher de um dos seus melhores generais: Urias. Mas Deus, através do profeta Natan, tocou o coração do rei, fazendo-o ver a gravidade do pecado que havia cometido.

Neste ponto, a (o) catequista pode aproveitar o fato da queda de Davi para mostrar a nossa fragilidade, o quanto necessitamos ter presente o que diz Nosso Senhor no Evangelho de São Mateus: É preciso vigiar e orar. Vigilância e oração são as duas pilastras que mantêm o cristão longe do pecado. Vale a pena ensinar que a oração é essencial para a nossa perseverança e salvação. Tanto que no Pai-Nosso pedimos para não cairmos em tentação e sermos livres do mal (o pecado, por ser ofensa a Deus, é o maior de todos os males). E na Ave-Maria pedimos a Nossa Senhora que rogue por nós, “agora e na hora de nossa morte”.

Se quiser, a (o) catequista pode aproveitar e ligar o pecado de Davi ao que foi dito mais acima, Deus se compadece do pecador arrependido, lhe concede o perdão e ainda se dá em Comunhão. Davi teve um arrependimento tão profundo dos seus pecados que compôs Salmos belíssimos. Entre eles, encontramos esta afirmação:

“Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar.” (Sl. 50,19)

Apesar de tudo, os erros cometidos por Davi não tiraram o brilho do seu reinado, nem foram maiores que sua fidelidade a Deus. Pelo contrário, a vida de Davi é um exemplo de fé, amor, fidelidade, coragem e temor de Deus.



Vocabulário:

Unção: É a aplicação de óleos em alguma parte do corpo. No caso de um sacramento ou sacramental, os óleos são sagrados. Na Antiguidade e na Idade Média, muitos príncipes ou eleitos só se tornavam reais depois de ungidos.

Ungido: Aquele que recebeu a unção.

Pugna: O mesmo que luta, combate, peleja.

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