Medalha Milagrosa

Os Anjos da Guarda e a Santíssima Eucaristia

 
Introdução

Adoradores do Verbo Encarnado e amigos dos homens que Ele veio salvar, os anjos sabem o quão importante é para eles a Eucaristia, o sacramento da nova e eterna aliança, a fonte de toda a vida e sinal de comunhão eclesial em Cristo Ressuscitado. Há muito tempo que a piedade popular, reunida em torno da hóstia consagrada, a distingue de forma especial chamando-a de "pão dos anjos". Com efeito, eles (anjos) não poupam esforços para garantir que o maior número de fiéis se empenhe vigorosamente no sentido de uma prática regular sacramental. Eles vêm discretamente, falam ao nosso íntimo, o anjo da guarda de cada um de nós nunca deixa de nos inspirar através de moções interiores voltadas exclusivamente para aumentar ou despertar em nossas almas o fervor eucarístico, o desejo de comunhão frequente ou para que recorramos ao sacramento da reconciliação.
 Aconteceu, porém – em circunstâncias particulares –, que os anjos atuassem em nosso plano de modo visível ou fisicamente. Vários santos e servos de Deus se beneficiaram de uma iniciação à devoção Eucarística de forma sobrenatural notável, que puderam demonstrar durante a sua vida. 

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Santo Isidoro, o lavrador

Isidoro, o lavrador, foi um homem muito piedoso que vivia nos arredores de Madri. Marido de Maria de la Cabeza, trabalhou como lavrador, mas quis conciliar o seu dever de estado com a obrigação religiosa para a qual se comprometeu, ou seja, assistir à Missa diariamente. Para auxiliá-lo a satisfazer suas aspirações, Deus enviou dois anjos que muitas vezes o ajudaram a empurrar o seu carrinho; às vezes apareciam ao lado dele com um segundo arado, puxado por dois bois, com uma alvura deslumbrante. Assim, as horas de trabalho eram reduzidas e o agricultor podia ir tranquilamente para a igreja dedicar-se as suas devoções. Morreu em meados do século XI. Ele é o patrono da cidade de Madri.
 

São Felice Porri   
                          

Com Felice Porri, nascido em Cantalice, na Itália, os anjos procederam de outra forma. Na idade de 12 anos foi empregado como pastor por um tal de Tullio Piccarelli. Felice era conhecido por sua piedade e amor ao silêncio. Por isso foi acusado de separar-se dos demais, mas ele respondeu sorrindo: "Porque temos de ser santos!”
Para assistir à Missa, ele confidenciou o seu rebanho à Providência, garantindo que nada haveria de acontecer a esses animais. Na verdade, nenhum animal jamais escapou nem provocou danos a campos vizinhos. Intrigados, os seus companheiros procuraram saber o que estava acontecendo. Eles o viram sair para a igreja, enquanto um pastor misterioso tomou o seu lugar: era o seu Anjo da Guarda. Na idade de 28 anos, Felice procurou os capuchinhos, que o aceitaram como frade mendicante, após o noviciado em Roma. Ele foi amigo de São Felipe Néri, e ambos foram as figuras mais originais e populares da cidade naquela época, foram particularmente queridos ao coração dos romanos. Frei Felice morreu em 1587 com a idade de sessenta e dois anos, murmurando, com o rosto em êxtase: "Oh, oh, oh! Vejo a Virgem e todos os anjos no Céu! Ele foi canonizado em 1712.
 

Santa Sinforosa Chopin

Sinforosia Chopin, mística francesa, também recebia um auxilio extraordinário de seu Anjo da Guarda quando queria ouvir Missa ou rezar diante do Santíssimo Sacramento. Com apenas oito anos de idade, ela foi obrigada por seus pais, que tinham que alimentar uma família grande, a ganhar algum dinheiro em um campo de golfe: Ela corria para pegar as bolas que se perdiam e os jogadores lhe davam uma moeda em troca. Ai dela se, à noite, não trazia dinheiro suficiente para a casa! Depois de apanhar, a pobrezinha ia para a cama sem ter direito a comer... Isso depois de um dia exaustivo correndo pra lá e pra cá. E não devia pensar em ir à igreja, pois “era tempo perdido”! Mais de uma vez ela preferiu ser castigada, ao invés de perder a Missa. Mas não demorou que seu Anjo da Guarda se fizesse presente: brilhante como um raio, ele corria para pegar as bolas perdidas, rendendo-lhe um tempo precioso para que pudesse ir tranquilamente à Missa. Alguns anos mais tarde, o Anjo a socorre da mesma forma, quando ela foi designada por seus pais para trabalhar como limpa trilhos, pegando pedaços de carvão e outros detritos para revender.


Anna Henle


Estigmatizada alemã, Anna Henle (1871-1950) viveu acamada por quase 65 anos, depois que uma misteriosa paralisia a atingiu no dia de sua primeira comunhão. Durante esses anos, ela deseja muito receber a comunhão em casa, mas os sacerdotes eram muito poucos para atendê-la sempre. Desde que recebeu a Eucaristia pela primeira vez, ela foi literalmente consumida pelo desejo de comungar. Essa vontade foi ainda mais inflamada pelo seu Anjo da Guarda, que, com cenários grandiosos, mostrou-lhe em visão, durante o decorrer da liturgia, como era o perfeito gozo dos eleitos no Céu, saciados pelo Pão da Vida.
 

São Boaventura

São Boaventura recebeu a comunhão na mão de seu anjo da guarda antes de sua ordenação sacerdotal (294). Outros santos foram favorecidos pela mesma graça uma vez – ou até mais de uma vez – como os santos: Estanislau Kostka e Geraldo Magella; piedosas mulheres, como Emília Bicchieri Itália, Ida de Lovaine, em Flandres e irmã Bouquillon Bertine (1800-1850).
 

Santa Agnese

Santa Agnese da Montepulciano (1268-1317) recebeu a comunhão das mãos de um anjo, porque, estando em êxtase, ela não pôde ir à missa. O fenômeno se repetiu por dez vezes.


Maria Raggi


Refúgiada na Itália, após a trágica morte de seu marido, príncipe da ilha de Chios, Maria Raggi (1552-1600) entrou na Ordem Terceira Dominicana e passou seus últimos anos em Roma. Muito fraca, viveu na pobreza, dedicando seus dias à oração e ao cuidado dos pacientes; ela recebeu os estigmas em 1593, sete anos antes de sua morte. Quando ela ia comungar, dois anjos a acompanhavam, e se acontecia de ela não poder ir à igreja, por causa das dores que sofria, seu Anjo da Guarda vinha trazer-lhe a Eucaristia.
 
Fonte:
J. Bouflet, Encyclopédie des phénomènes extraordinaires dans la vie mystique, tome 3 : Les Anges et leurs Saints, extraits du chapitre 5 : "Missions des Anges Gardiens". Edition Le jardin des livres - BP 40704 - 75827 Paris Cedex 17 - Tél.: 01.44.09.08.78

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