Medalha Milagrosa

Os Anjos da Guarda na Voz dos Papas


Clemente XBrasao do Vaticano.jpg

*1590 +1676. Eleito em 29 de abril de 1670.

Dedicou o dia 2 de outubro à festa do Anjo da Guarda.


Pio VI

*1717 +1799. Eleito em 15 de fevereiro de 1775.

Veneráveis irmãos, saudação e bênção apostólica.
 

Deus, Pai de misericórdia, entre as demonstrações impressionantes e sem número que nos deu da sua bondade infinita, sobretudo manifestou a sua caridade imensa para com o gênero humano quando, considerando a nossa extrema fraqueza, encomendou aos seus Anjos que tomassem conta de nós em todas as situações, nos levasse pelas mãos, de modo a que não chocássemos contra a pedra, e de ser os nossos defensores em todos os combates, para que não nos tornemos vítimas infelizes (do mundo e do demônio). Nós, consequentemente, para procurar a salvação das almas que nos foram confiadas, e para incentivar o aumento da veneração e o amor dos fiéis para com os seus Santos Anjos, e ainda o respeito que devem ter para com a sua presença, a devoção à sua bondade, e confiança no cuidado que tomam conosco, animados de uma caridade paternal, abrimos o tesouro dos dons celestiais, cuja dispensa nos é confiada, a fim de excitar através dela os cristãos a terem mais fervor e devoção para com estes mesmos Anjos da Guarda. [...]

É por isso que, veneráveis irmãos, solicitamos e exortamos no Senhor, que ordenem a todos os superiores das igrejas, tanto catedrais como paroquiais, de instruir os fiéis por eles mesmos, ou através de outros, sobre a devoção que devem para com os seus Anjos da Guarda, encarregados de apoiar e fortificar a nossa fraqueza, a fim de ganhar a vitória em todos os combates da vida; de conservar a fé, e adquirir a coroa de justiça. Devem Animá-los a recitarem com frequência: Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade Divina: sempre me rege, guarde, governe e ilumina. Amém. Por último, veneráveis Irmãos, concedamos, com toda a efusão do nosso coração, nossa bênção apostólica.

Dado em Roma, em Santa Maria Maggiore, a 20 de setembro do ano 1796, 22° do nosso pontificado.
 

A Devoção aos Santos Anjos da Guarda, recomendada e favorecida de
 indulgências pelo Papa Pio VI (1811).

 

Pio XI

*1857 +1939. Eleito em 6 de fevereiro de 1922.

Recomendamos sempre esta devoção aos escoteiros. Estes são frequentemente abandonados às suas próprias forças. Que não se esqueçam que têm um Guia Celestial, que recordem que o Anjo de Deus vela realmente sobre eles. Este pensamento dar-lhes-á coragem e confiança.

Discurso aos escoteiros católicos, 10 de junho de 1923, Discursos do Papa Pio XI, vol. 1.

 

São Bernardo, o devoto de Maria, o amigo do Coração de Jesus, é também, pode-se dizer, o cantor, o arauto dos Anjos da Guarda. O santo doutor afirma que para cada criança, cada ser humano existe um Anjo, e nunca devemos nos esquecer deste parceiro de vida, (devemos) ter “respeito pela sua presença, devoção à sua bondade e confiança na guarda que nos faz. O anjo de Deus nos acompanha com sua presença, ele nos honra e nos ama por sua bondade, e ele nos defende por sua guarda”. Vejam então as disposições com as quais São Bernardo muito apropriadamente sugere para que correspondamos a tanta bondade .

"Respeito à presença." Nunca devemos esquecer a presença do Anjo da Guarda, o príncipe celeste que nunca se envergonha de nós. [...]

"Devoção à bondade." O Anjo da Guarda não se faz só presente, mas está cheio de ternura e caridade, que ainda exige de nós amor, por causa do carinho, isto é, a devoção. [...] Devoção concretizada na prática da oração diária, invocando seu Anjo no início e no final de cada dia, mas também durante todo o dia. [...]

"A confiança na sua guarda." Saber-se guardado por um príncipe da corte celeste, por um desses espíritos eleitos a quem o Senhor – se referindo às crianças - disse que eles veem constantemente a majestade de Deus no esplendor do Paraíso, que não só inspira respeito e devoção, mas suscita a mais total confiança. A confiança, que é muito mais do que a audácia terrena, é necessária e deve apoiar, principalmente, quando a tarefa é difícil e estamos pondo em dúvida nossos bons propósitos. Nesse momento, então, de uma forma mais acentuada, devemos esperar a proteção e a guarda dos Santos Anjos. E realmente, neste sentido de confiança, vemos mais e mais evidente a necessidade da oração, que é precisamente a expressão autêntica e espontânea da confiança.

Discurso às crianças, 10 de setembro de 1934 - Discursos, volume 3.
 


Pio XII

*1876 +1958. Eleito em 2 de março de 1939.

Os anjos são a glória celestial, no entanto, Deus os envia para cada um de nós para serem nossos companheiros e nos manter no redil do Bom Pastor.

Ontem, a Igreja celebrou a festa dos Santos Anjos. [...] “Canta os Anjos da Guarda dos homens” dizia a liturgia de ontem, “companheiros celestiais que o Pai deu à nossa frágil natureza de modo que não sucumbamos aos inimigos que nos assediam”. Este mesmo pensamento consta repetidas vezes nos escritos dos Padres da Igreja. Cada um, por mais humilde que seja, tem anjos para velar sobre si. São gloriosos, puros, magníficos e, contudo, foram-nos dados como companheiros de caminhada, são encarregados de velar com cuidado sobre nós, de modo que não nos afastássemos de Cristo, Nosso Senhor. E não somente querem defender-nos contra os perigos que nos ronda ao longo do nosso caminho, mas ficam efetivamente ao nosso lado, animando as nossas almas para subir mais e mais rumo à união com Deus.

Aos Peregrinos Americanos, 3 de outubro de 1958,
 Documentos Pontifícios de Pio XII e Paulo VI, Edições Santo-Augustinho (França).

 

João XXIII

*1881 +1963. Eleito em 28 de outubro de 1958.

Cada um de nós tem o seu Anjo da Guarda pessoal com o qual pode conversar, assim como com os Anjos da Guarda dos outros.

Eis o 2 de Outubro: Festa dos Santos Anjos da Guarda. [...] Seguindo o que nos ensina o Catecismo Romano, vamos recordar quanto é a admirável disposição da Divina Providência que confiou aos Anjos o serviço de velar para que o gênero humano e cada ser humano não sejam vítimas de graves perigos. Do mesmo modo que, nesta existência terrena, os pais, quando as suas crianças empreendem uma viagem cheia de obstáculos e dificuldades, preocupam-se de chamar junto deles alguém que possa tomar cuidado deles e ajudá-los nas adversidades, assim o Pai dos Céus, para cada um de nós, durante a nossa viagem para a pátria celestial, encarregou os Santos Anjos para ajudar-nos e proteger-nos com solicitude, para que possamos evitar os obstáculos, superar as paixões, e, sob a sua condução, nunca abandonar a via certa e segura que conduz ao Paraíso.

[...] Que a devoção aos Santos Anjos nos acompanhe para sempre! Quantos riscos temos de enfrentar durante a nossa peregrinação terrestre, quer por parte da revolta dos elementos da natureza, quer a cólera dos homens mergulhados no mal! Pois bem, o nosso Anjo da Guarda continua sempre presente. Não o esqueçamos nunca, (devemos) invocá-lo sempre.

2 de outubro de 1960, Discursos, T. 2, 762.
 
O nosso desejo é para que cresça a devoção para com o Anjo da Guarda. Cada um tem o seu e cada um pode conversar com os Anjos e o seu séquito.

9 de agosto de 1961, Osservatore Romano, edição francesa semanal, n° 33.
 
É necessário que sempre seja recordada e incentivada a oração diária, ou mesmo em qualquer circunstância do dia, ao seu Anjo da Guarda, de modo que cada um possa não somente ser protegido contra os perigos da alma, mas também ser defendido contra os acidentes que, infelizmente, se sucedem frequentemente sobre as estradas, no mar e no ar.

 
10 de Setembro de 1961, Osservatore Romano,
 edição francesa semanal, n° 38.

 

Paulo VI

*1897 +1978. Eleito em 21 de junho de 1963.

Cremos que a multidão das almas, que já estão reunidas com Jesus e Maria no Paraíso, constituem a Igreja do céu, onde gozando da felicidade eterna, veem Deus como Ele é, e participam com os santos Anjos – naturalmente em grau e modo diverso – do governo divino exercido por Cristo glorioso, uma vez que intercedem por nós e ajudam muito a nossa fraqueza, com a sua solicitude fraterna.

Credo do Povo de Deus, pronunciado em 30 de junho de 1968.

 

João Paulo II

*1920 +2005. Eleito em 16 de outubro 1978.

5. Notemos que a Sagrada Escritura e a Tradição chamam propriamente anjos àqueles espíritos puros que na prova fundamental de liberdade escolheram Deus, a Sua glória e o Seu reino. Eles estão unidos a Deus mediante o amor consumado que nasce da beatificante visão, face a face, da Santíssima Trindade. Di-lo Jesus mesmo: "Os anjos nos céus veem constantemente a face de Meu Pai que está nos céus" (Mt. 18,10). Aquele " ver constantemente a face do Pai" é a manifestação mais excelsa da adoração de Deus. Pode-se dizer que ela constitui aquela "liturgia celeste", realizada em nome de todo o universo, à qual se associa incessantemente a liturgia terrena da Igreja, de modo especial nos seus momentos culminantes. Basta recordar aqui o ato com o qual a Igreja, todos os dias e a todas as horas, no mundo inteiro, antes de dar inicio à Oração Eucarística no ponto central da Santa Missa, se refere aos "anjos e aos arcanjos'' para cantar a glória de Deus três vezes Santo, unindo-se assim àqueles primeiros adoradores de Deus, no culto e no amoroso conhecimento do inefável mistério da sua santidade.

6. Ainda segundo a revelação, os anjos, que participam da vida da Trindade na luz da glória, são também chamados a ter a sua parte na história da salvação dos homens, nos momentos estabelecidos pelo desígnio da Divina providência. "Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão de herdar a salvação?", pergunta o autor da carta aos Hebreus (1,14). E nisto crê e isto ensina a Igreja, com base na Sagrada Escritura da qual sabemos que é tarefa dos anjos bons a proteção dos homens e a solicitude pela sua salvação. Encontramos certas expressões em diversas passagens da Sagrada Escritura como por exemplo no Salmo 90/91, já citado mais de uma vez: "Mandou aos Seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te levarão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra" (Sl. 90/91,11´12). O próprio Jesus, falando das crianças e recomendando que não se lhes desse escândalo faz referência aos "seus anjos" (Mt. 18,10). Ele atribui também aos anjos a função de testemunhas no supremo juízo divino sobre a sorte de quem reconheceu ou negou Cristo: "Todo aquele que se declarar por Mim diante dos homens, também o Filho do Homem se declarara por ele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que Me tiver negado diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus" (Lc. 12,8´9; cf. Ap 3,5). Estas palavras são significativas porque, se os anjos tomam parte no juízo de Deus, estão interessados pela vida do homem. Interesse e participação que parecem receber uma acentuação no discurso escatológico, em que Jesus faz intervir os anjos na Parusia, ou seja, na vinda definitiva de Cristo no fim da história (cf. Mt 24,31; 25,31´41).

A Igreja confessa a sua fé nos anjos da guarda, venerando-os na liturgia com uma festa própria e recomendando o recurso à sua proteção com uma oração frequente, como na invocação do “Anjo de Deus”. Esta oração parece fazer tesouro das lindas palavras de São Basílio: ´Cada fiel tem ao seu lado um anjo como tutor e pastor, para o levar à vida (sobrenatural)´ (cf. 5. Basilius, Adv. Funonium, III, 1; veja-se também Sto. Tomas, Summa Theol. 1, q. II, a.3).

 
Extraído da Audiência do dia 6 de agosto de 1986. Publicada no
L´Osservatore Romano, ed. port., no dia 10 de agosto de 1986.

 

Bento XVI

Gloriosamente reinante, eleito em 2005.

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje é o primeiro domingo de Quaresma, e o evangelho, com o estilo sóbrio e conciso de São Marcos, introduz-nos no clima deste tempo litúrgico:  "O Espírito impeliu Jesus para o deserto. E esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás" (Mc 1, 12). Na Terra Santa, a oeste do rio Jordão e do oásis de Jericó, encontra-se o deserto de Judá que, ao longo de vales pedregosos, ultrapassando um desnível de cerca de mil metros, sobe até Jerusalém. Depois de ter recebido o baptismo de João, Jesus entrou naquela solidão conduzido pelo próprio Espírito Santo, que tinha descido sobre Ele, consagrando-O e revelando-O como Filho de Deus. No deserto, lugar da provação, como mostra a experiência do povo de Israel, sobressai com profunda dramaticidade a realidade da kenosi, do esvaziamento de Cristo, que se despojou da forma de Deus (cf. Fl 2, 6-7). Ele, que não pecou e não pode pecar, submete-se à prova e por isso pode compadecer-se da nossa enfermidade (cf. Hb 4, 15). Deixa-se tentar por Satanás, o adversário, que desde o princípio se opôs ao desígnio salvífico de Deus em benefício dos homens.

Quase de passagem, na brevidade da narração, diante desta figura obscura e tenebrosa que ousa tentar o Senhor, aparecem os anjos, figuras luminosas e misteriosas. Os anjos, diz o Evangelho, "serviam" Jesus (Mc 1, 13); eles são o contraponto de Satanás. "Anjo" quer dizer "enviado". Em todo o Antigo Testamento encontramos estas figuras que, em nome de Deus, ajudam a orientar os homens. É suficiente recordar o livro de Tobias, onde aparece a figura do anjo Rafael, que assiste o protagonista em numerosas vicissitudes. A presença tranquilizadora do anjo do Senhor acompanha o povo de Israel em todas as suas vicissitudes boas e más. No início do novo Testamento, Gabriel é enviado para anunciar a Zacarias e a Maria os ditosos acontecimentos que se encontram no princípio da nossa salvação; e um anjo, do qual não se diz o nome, adverte José, orientando-o naquele momento de incerteza. Um coro de anjos anuncia aos pastores a boa notícia do nascimento do Salvador; assim, serão também os anjos que anunciarão às mulheres a notícia jubilosa da sua ressurreição. No final dos tempos, os anjos hão-de acompanhar Jesus na sua vinda na glória (cf. Mt 25, 31). Os anjos servem Jesus, que certamente é superior a eles, e esta sua dignidade é aqui, no Evangelho, proclamada de maneira clara, embora discreta. Efetivamente, também na situação de pobreza e humildade extremas, quando é tentado por Satanás, Ele permanece o Filho de Deus, o Messias, o Senhor.
Estimados irmãos e irmãs, excluiríamos uma parte notável do Evangelho, se deixássemos de lado estes seres enviados por Deus, que anunciam a sua presença no meio de nós e constituem um sinal da mesma. Invoquemo-los com frequência, a fim de que nos sustentem no compromisso de seguir Jesus a ponto de nos identificarmos com Ele. Peçamos-lhes, de modo particular no dia de hoje, que vele sobre mim e sobre os meus colaboradores da Cúria Romana que hoje à tarde, como todos os anos, começaremos a semana de Exercícios espirituais. Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós!

 
Angelus, 1º domingo da Quaresma, 1 de março de 2009.

  

 

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